São Paulo

Em São Paulo tudo começa
Você conhece o mundo
É tudo como uma peça
E geral aqui é moribundo
Pena que é real
O cotidiano é suícida
O cotidiano é genocida
E tudo é uma prova
De que você é ou não é leal
Parece nova
Mas tem uns anos
Todo dia de Rio Grande
Até o brás
Passo em frente a febém
Ergo a cabeça
E não volto atrás
Vou sempre além
São paulo é assim
Mas é tudo pra mim
Guardo a cidade no coração
E aqui é um louco mundão
O estilo urbano me corrompeu
E nem meu crânio mais é meu
E acha que o seu é seu?
Aqui é pa pum
Assalto, morreu
E nessa louca gigante, fudeu
Eu sou só mais um!

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Metamorfose

O poeta muda, mas nunca larga o lirismo! Contemplem:

Metamorfose

Até mesmo o coração mais de
pedra
Amolece perante um lindo
sorriso

Até mesmo o homem mais
rígido
Se torna bondoso perante um
gracejo

Até mesmo o mais sem
sentimento
Se deslumbra com um sensual
rebolar

O mais lutador
Abaixa a espada
O mais frio
Se torna quente
O mais parado
Se torna um sambista nato

Gracejos, rebolares, olhares
Uma mulher transforma um homem
E eu, fui transformado
Não, não por uma mulher
Mas pela melhor
A do melhor sorriso
A do melhor gracejo
A do melhor rebolar
Mas principalmente,
a do melhor olhar!

Explicando o cabeçalho!

Não, não é pela moda da novela, usei um trecho da música “Jorge da Capadócia” no cabeçalho, não, não a mesma que toca na novela, que fique bem claro!
A música é bem antiga, e fala de luta! Que é o que muito fala de mim agora, do meu novo crer, creio que a vida é uma luta e que devemos seguir em frente, sempre com a cabeça erguida, sempre em busca do melhor, sempre em busca do pensar, é nisso que acredito agora (e quem diria que aquele cara pessimista se transformaria nisso), pois é, e por isso usei o símbolo de São Jorge, quem me conhece, sabe o quão católico sou, mas o símbolo de Jorge no cabeçalho não é religioso. O trecho que usei como já devem ter lido foi “Para que meus inimigos tenham mãos/ e não me toquem”.
Segue abaixo a letra da música, e uma versão que gosto muito, que é usada como introdução de um álbum que muito admiro, do famoso grupo de RAP Racionais MC’s, a música Jorge da Capadócia cantada para abrir o álbum é o que prova o quão essa música fala de luta e o quão ela significa, indico o álbum para quem ainda não ouviu, que muito também fala de sobrevivência e de luta, o álbum chama-se “Sobrevivendo no Inferno”, ouçam a música e entendam o cabeçalho! Segue a letra e a música:

Jorge sentou praça
na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também
sou da sua companhia.

Eu estou vestido com as roupas
e as armas de Jorge.
Para que meus inimigos tenham pés
e não me alcancem.
Para que meus inimigos tenham mãos
e não me toquem.
Para que meus inimigos tenham olhos
e não me vejam.
E nem mesmo em pensamento eles possam ter
para me fazerem mal.

Armas de fogo
meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem
sem o meu corpo tocar.
Cordas e correntes arrebentem
sem o meu corpo amarrar.

Pois eu estou vestido com as roupas
e as armas de Jorge.

Jorge é de Capadócia
Salve jorge!
Salve jorge!

Soneto do faço de mim

Dedico ao poeta que uma vez foi chamado de maior e ficou ofendido, dedico ao poeta menor, contemplem o “Soneto do faço de mim”:

Faço de mim o poeta sem rótulos
Faço de mim o poeta sem estilo
Faço de mim o poeta sem escrúpulos
Faço de mim o poeta sonetista

Faço de mim, um indeciso
Faço de mim, um sem conceito
Faço de mim, um sem ideologia
Mas acima de tudo, faço de mim

Faço de mim um poeta e nada mais
No meu mundo não há paz
Guerreiam por petróleo

Faço de mim, um poeta caduco
Faço de mim, um poeta em busca de um texto profundo
Faço de mim, um poeta denunciando os atrasos do mundo

Creio!

Eu acredito em um mundo melhor, bobeira talvez, tolice, mas acredito, e meu sonho é trabalhar com a educação, o mais incrível de tudo isso é a reação das pessoas ao meu expor, e não, não é de admiração, tudo que ouço é um: “mas ganha tão pouco”.
Sim ganha tão pouco, afinal, pouco vale formar médicos, engenheiros, artistas e até mesmo, outros professores. Qual o valor de tudo isso? Uma pitada de ironia e um texto sem classificação literária?
Eu respondo o valor de tudo isso e você tem minha autorização para chamar de tolice, mas o valor é fazer a diferença, é encontrar um aluno no futuro e ouvir um “obrigado” e mesmo que ele não se lembre, vale o meu reconhecimento sobre a minha pessoa, vale o “eu saber”, vale a gratificação que eu terei sobre mim mesmo!
Eu não sei se isso é um poema, uma crônica não é, muito menos uma dissertação, mas é uma prosa, quase que um diário em algumas linhas, é um confessionário de ideias sobre o porque de eu ter escolhido o caminho da educação.
Eu fui e sou um artista, mágico poeta, poeta escritor e até ator, mas o que serei e está decidido, nada mais é do que um professor.