Soneto do faço de mim

Dedico ao poeta que uma vez foi chamado de maior e ficou ofendido, dedico ao poeta menor, contemplem o “Soneto do faço de mim”:

Faço de mim o poeta sem rótulos
Faço de mim o poeta sem estilo
Faço de mim o poeta sem escrúpulos
Faço de mim o poeta sonetista

Faço de mim, um indeciso
Faço de mim, um sem conceito
Faço de mim, um sem ideologia
Mas acima de tudo, faço de mim

Faço de mim um poeta e nada mais
No meu mundo não há paz
Guerreiam por petróleo

Faço de mim, um poeta caduco
Faço de mim, um poeta em busca de um texto profundo
Faço de mim, um poeta denunciando os atrasos do mundo

Advertisements

Creio!

Eu acredito em um mundo melhor, bobeira talvez, tolice, mas acredito, e meu sonho é trabalhar com a educação, o mais incrível de tudo isso é a reação das pessoas ao meu expor, e não, não é de admiração, tudo que ouço é um: “mas ganha tão pouco”.
Sim ganha tão pouco, afinal, pouco vale formar médicos, engenheiros, artistas e até mesmo, outros professores. Qual o valor de tudo isso? Uma pitada de ironia e um texto sem classificação literária?
Eu respondo o valor de tudo isso e você tem minha autorização para chamar de tolice, mas o valor é fazer a diferença, é encontrar um aluno no futuro e ouvir um “obrigado” e mesmo que ele não se lembre, vale o meu reconhecimento sobre a minha pessoa, vale o “eu saber”, vale a gratificação que eu terei sobre mim mesmo!
Eu não sei se isso é um poema, uma crônica não é, muito menos uma dissertação, mas é uma prosa, quase que um diário em algumas linhas, é um confessionário de ideias sobre o porque de eu ter escolhido o caminho da educação.
Eu fui e sou um artista, mágico poeta, poeta escritor e até ator, mas o que serei e está decidido, nada mais é do que um professor.

Soneto da coragem

Eis meu novo ser, eis minha volta definitiva, eis…

Soneto da coragem

Minhas palavras são canivetes
Contra seu escudo de papel
E é um escudo de aço
Inspiradas a defender suas ondas cortantes

E eu lutarei até morrer
Violência não, não violência
Minhas letras são a essência
Que ajudam a me defender

Se isso é contra a minha religião?
Meu senhor não me ensinou a abaixar a cabeça
E eu sou um lutador em busca de inspiração

Eu sou um lobo a procura de uma presa da vida
Enfrentando cada passo apesar de cada ferida
Caminhando, apesar de tudo, com a cabeça erguida

Carta de justificativa

Não é por cobrança
É por necessidade
Sigo aqui o conselho de Manuel Bandeira
De só escrever quando muito não puder de fazer

Não se assuste doce amada
Parei sim
Meus textos caíram na mesmice de sempre
Eu pouco os aguentava
Minha mente passa por mudanças
Não sou mais aquele pseudo-revolucionário
A única certeza que tenho é o meu amor por ti

Amo-te, como jamais amei ninguém
Inspira-me ainda, como jamais outro alguém me inspirou

E reescrevo os versos anteriores, trocando o tempo verbal
Porque verbo é importante e seu tempo muda toda a poética

Amar-te-ei, como jamais amarei alguém
Inspirar-me-ás, como jamais outro alguém fará

Escrevo pelo mártir da minha poesia
Mas a ressuscitarei
Buscarei novos horizontes
Mas você sempre estará nela

Não se esqueça nunca
Que amo, e amo de verdade você
Fica essa singela insignificativa
Carta de justificativa
E não só de justificativa
De agradecimento
Por me fazer voltar
(como sempre faz)

 

Percepção

Às vezes penso que está tudo errado
Às vezes, que é pra ser errado
No fundo, que é nossa natureza

A beleza realista gostaria de exprimir aqui
Mas aí deixaria de ser realista
Não acha?

Pobre coitado eu poeta
Sou tão chato, mas tão chato.
Que até concluo que mesmo as pessoas de mim gostam
Não de mim gostam e sim da minha chatice

De qualquer forma, não sou menos chato que vocês
Um pensamento qualquer e se eu prolongar muito vai deixar de ser realista
Pensador eu? Não me julgues
Não penso, percebo.

Amo-te

De prolongadas e longas delongas
Surge cada vez que me arrisco em papel
Um poema
Sempre ti
Sempre ela (a causa)

De amores e devaneios delirei
E ainda deliro
Amei-te
Como jamais amei outro alguém

Excitou-me
Como jamais outro alguém me excitou
Matou-me, de amores e delírios
Como jamais, alguém me matou

Retoricamente
Amaste-me
Como jamais
Alguém me amou

Recipricou
Correspondeu
E nem tenho mais palavras para inventar

Só espero que isso nunca
Tenha um triste fim
Se pra sempre? Não sei
Mas ao menos durante a vida, que dure eternamente.